<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582</id><updated>2011-11-23T02:53:06.495-08:00</updated><title type='text'>Degustando memórias</title><subtitle type='html'>Receitas, memórias, histórias, filmes e reflexões despretenciosas sobre a vida.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>11</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-7638277581710244202</id><published>2011-08-11T04:48:00.000-07:00</published><updated>2011-08-12T04:04:35.660-07:00</updated><title type='text'>O fim do mundo</title><content type='html'>Um dia, acordou com vontade de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vontade de viver, de cantar, de ler todos os livros comprados no sebo que serviam de refeição as traças, talvez escrever aquele primeiro capítulo do livro (o primeiro parágrafo já estava bom), quem sabe fazer a meditação diária que passou a ser anual, comer devagar e pouco, de todas as vontades escolheu para iniciar o dia a tal da caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quarenta minutos são suficientes – disse o médico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vestiu roupa adequada, tênis de caminhada e tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na saída da casa olhou para um lado, olhou para o outro. Virou para o sol e foi. Iniciou a jornada, caminharia até obter o tal autoconhecimento. Caminhou tanto que chegou no fim do mundo: as suas próprias costas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-7638277581710244202?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/7638277581710244202/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=7638277581710244202&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/7638277581710244202'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/7638277581710244202'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2011/08/o-fim-do-mundo.html' title='O fim do mundo'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-40724223274150375</id><published>2011-07-13T04:43:00.000-07:00</published><updated>2011-08-11T05:14:52.968-07:00</updated><title type='text'>Morrer de amor</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-2im2GFp23h0/TiAn7UQPdmI/AAAAAAAAAEM/v1yv4RCYwvg/s1600/girasol.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="184" m$="true" src="http://2.bp.blogspot.com/-2im2GFp23h0/TiAn7UQPdmI/AAAAAAAAAEM/v1yv4RCYwvg/s320/girasol.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;Ele&amp;nbsp;era tão feliz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Virava de um lado para outro, sem nem saber por que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Girava o caule daqui para lá e de acolá para ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vivia alegre, uma alegria genuína de tolos, sem consciência de si mesmo e do quanto suas folhas amarelas impactam sobre que as vê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, se apaixonou pelo sol. Tanto girou em sua procura. Tanto se torceu atrás do seu amado (que era tão imenso)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que acabou quebrando o pescoço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-40724223274150375?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/40724223274150375/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=40724223274150375&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/40724223274150375'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/40724223274150375'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2011/07/morrer-de-amor.html' title='Morrer de amor'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-2im2GFp23h0/TiAn7UQPdmI/AAAAAAAAAEM/v1yv4RCYwvg/s72-c/girasol.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-9100529633419881541</id><published>2011-04-25T08:09:00.000-07:00</published><updated>2011-08-11T05:13:57.722-07:00</updated><title type='text'>Efemeridades</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quando nasceu ninguém acreditava que uma coisinha tão novinha quanto ela pudesse causar tanto espanto e ao mesmo tempo uma sensação tão forte de alegria. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Quem olhava para ela, assim tão... tão linda, sentia-se como que levado a um tempo distante. Uns lembravam da infância, outros emocionavam-se, alguns deixavam-se ficar discretamente extasiados, seguindo-a com os olhos lentamente, onde quer que ela fosse.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Seria assim a vida toda. Brilhante. Cheia de si. Colorida. Onde passava chamava a atenção. Não havia um que não parasse para olhar, desde crianças até os velhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;Gostava daquilo, levitava acima da cabeça dos homens com algo estampado na face que deveria ser um sorriso, transfigurado em diferentes imagens.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Saindo&amp;nbsp;do útero que a desenvolveu, era frágil e um pouco careca, de imediato a vida pareceu ter ficado suspensa no ar por alguns instantes. Aquela que a gerou, espantada, imaginou que ela iria sucumbir ao peso do mundo. Mas tornou-se&amp;nbsp;forte. E tão logo bateu uma brisa, ela, já agora mais adulta para o seu tempo, mas ainda uma mocinha, deixou-se levar. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Não olhou para trás, ansiava por aquilo. Aliás, tinha na mente a certeza que havia nascido para isso, para brilhar alto, para subir, para ser vista, para transformar aqueles que a vissem, simples mortais, em estátuas vivas de um ponto no tempo. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Quando ela cansou daquela vida, do glamour, do olhares pedintes, da imensidão, do vazio, dos desejos incontidos de tocá-la, da precária leveza que a mantinha acima das mesquinharias da alma humana, fechou os olhos e começou a perder as cores que lhe eram características, sua queda foi lenta, mas visível a todos. Foi murchando, diminuindo, foi ficando pálida, quase transparente. Mesmo assim, ainda era bela de ser observada. Já não dava as voltas que dava antes, as piruetas, os altos e baixos da vida, mas era sempre bom olhar para ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Trebuchet MS&amp;quot;, sans-serif;"&gt;&lt;br /&gt;Imagine que nessa idade já avançada para seu tempo, um último amante buscava-a com sofreguidão, ela deixou-se encantar pelos olhos da criatura, que apesar de tão nova, da diferença tão grande de idade desejava-a acima de tudo, ao menos nos breves segundos que seus olhos se cruzavam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi nessa época que entregou sua alma inteira ao amor, como um último ato de rebeldia e coragem. Foi-se, inteira para os braços do amado e ali deixou-se morrer. Presa nas suas mãos. Sua morte desencadeou uma série de olhares atônitos aos que estavam próximos. Explodira em pequenas gotículas de bondade e alegria que cravaram-se naqueles espíritos sedentos de compaixão e esperança. Depois a vida continuou normalmente, como sempre continua após a morte, todos voltaram as suas preocupações corriqueiras, em breve, aqueles transeuntes de um shopping esqueceriam que viram uma bolha de sabão por alguns segundos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-9100529633419881541?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/9100529633419881541/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=9100529633419881541&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/9100529633419881541'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/9100529633419881541'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2011/04/efemeridades.html' title='Efemeridades'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-3449549696798404592</id><published>2011-04-15T07:00:00.001-07:00</published><updated>2011-04-15T07:00:10.816-07:00</updated><title type='text'>Grávido</title><content type='html'>Estou grávido, aliás, estamos, eu e minha mulher.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-3449549696798404592?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/3449549696798404592/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=3449549696798404592&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/3449549696798404592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/3449549696798404592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2011/04/gravido.html' title='Grávido'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-5674119274869837486</id><published>2011-03-11T04:06:00.001-08:00</published><updated>2011-03-11T05:41:51.010-08:00</updated><title type='text'>O Catador de Memórias</title><content type='html'>Nasceu com aquela maldição. Uns diziam que era um dom, outros que deveria usar para ajudar, alguns que era aquilo coisa do “coisa ruim”, mandaram benzer, vieram padres, exorcistas, banho de sal grosso, mesa branca, oferenda para Ogum e por aí foi... De fato mesmo, era que o menino crescia assustando os parentes que já nem queriam visitar mais a sua mãe com medo dele contar algo que não devia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Demorou certo tempo para saberem que ele precisava tocar as coisas para falar sobre elas. Só depois disso é que retornaram as freqüentar a mansão de dona Joana, sua mãe, na zona nobre da cidade. Bastava é claro que o menino não chegasse perto de ninguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sai daqui moleque!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não me toque!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não chega perto guri!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eram essas as frases mais corriqueiras dos seus solitários dias. Entre outras, escutava também as escondidas:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi Manfredo, podia tocar aqui nessa camiseta e dizer alguma coisinha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Manfredo meu querido sobrinho, o que você pode dizer sobre essa camisola de sua tia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Manfredinho meu amado, podia dar uma pegadinha aqui nesse sapato e dizer onde ele andou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manfredo, era para ser um nome em homenagem a um herói da primeira guerra, o pai era aficionado pelo assunto. Vivia com mapas, livros, miniaturas de aviões, fotografias e repetindo nomes de pilotos. Vivia a vida que queria ter vivido - piloto de avião - através das leituras regadas a charutos e brandy na sua sala particular em casa, local em que se trancafiava depois do serviço e só saia por volta da meia noite para desabar na cama. No outro dia, tornava ao escritório contábil, onde passava o tempo buscando não pensar na vida que não viveu... e nunca viveria. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Manfredinho, meu queridinho, diz aonde o seu padrinho estava quando usou esta gravata suja de batom?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É Manfred, minha senhora. Manfred. Um nome alemão, com o ‘d’ mudo entende?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim dizia o pai quando passava pela sala e escutava aquilo, era o mais próximo que chegava do filho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas ele foi registrado Manfredo meu querido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ele desistia, pegava mais uma garrafa e se retirava vencido, voltava aos seus aviões em miniatura. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mãe, que nunca fora muito carinhosa gostava de chamar as amigas para mostrar o filho como um ser de outro mundo, um bichinho amestrado que dizia coisas dos maridos daquelas dignas senhoras que ficavam no jardim de inverno da casa tomando chá e fazendo mil perguntas para o menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cresceu assim, sozinho, sozinho em meio a muita gente. Sem nem entender o que estava acontecendo. Banido dos grupos da escola, banido de casa, banido do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, já mais velho e mais sozinho do que nunca, começou a entender porque as pessoas se aproximavam para pedir favores, saiu de casa. Colocou uma mochila nas costas e nunca mais voltou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passou fome, passou frio, ficou doente, pediu na rua, até conseguir um barraco para ficar, era como um renegado do mundo, só queria viver em paz. Tanto viu traições, cenas de sexo, verdadeiras orgias que não saiam da sua mente, violência, mentiras, furtos, intrigas e até estupros, que não suportou mais, fechou-se. E nunca mais falou também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sem sequer perceber, acabou colecionando coisas que continham lembranças boas de outros. Afinal, fechado em seu casulo e mudo, pouco de si mesmo podia viver. Transformou-se em um arqueólogo de memórias alheias. Caminhava pelas ruas de cabeça baixa, procurando pequenos objetos que já haviam pertencido a outras pessoas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pegava uma carteira achada no lixo e via o homem que abriu-a retirando notas e pagando o vinho do noivado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Achava um camafeu e via a moça ganhando o objeto do avô e envelhecendo com ele, sempre segurando o último botão da camisa de gola alta e punhos de renda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um chapéu velho trazia lembranças de barcos ancorados em portos distantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um bule antigo e amassado, os cafés que duas irmãs solteiras tomavam todas as tardes, até que uma morreu e o bule foi para o lixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tanto começou a escrafunchar o passado dos outros que seu dom começou a se ampliar, agora não só via, como sentia as emoções que os outros sentiram, era como uma máquina do tempo em que ao invés do corpo viajar em direção ao passado, as memórias é que voavam em direção ao presente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o tempo, arranjou um carrinho para juntar os objetos, andava pelas ruas puxando seu riquixá de lembranças. Algumas, não esperava nem a noite cair, ali mesmo, embaixo de um viaduto ou o canto de alguma praça, sentava-se, tocava o artefato, fechava os olhos e vivia a vida de alguém, muitas vezes se desfazia ali mesmo do objeto, por conter sensações nefastas para sua alma sedenta de lágrimas doces. Outras, se emocionava a tal ponto que deixava-se ficar deitado durante um tempo, até que algum guarda municipal lhe enxotasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que sentiu todo o arrependimento do mundo quando o homem da carteira traiu sua noiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também experimentou as doces horas que a moça do camafeu dedicou ao seu avô já cego, lendo-lhe os clássicos Russos que ele tanto gostava. Sentiu até a mão enrugada do velho sobre a sua. E o pavor do último pedido: – Deixa-me morrer com dignidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Provou o sabor do vinho do porto que homem do chapéu degustou num cais, bem como a doçura dos beijos da moça que lhe acompanhava. Soube o que era saudade. Por que ele partiu, para buscá-la dali um tempo, mas ela foi embora para outra cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentiu uma pitada de ciúmes, mas também o mais profundo amor fraterno entre as duas irmãs que renunciaram a viver um grande amor por terem se apaixonado pelo mesmo homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De memória em memória, de desejo em desejo, de sonho em sonho, de dor em dor se alimentou Manfredo dos sentimentos humanos. Até que seus dons se ampliaram ainda mais, não só via, não só sentia, como também se conectava ao tempo e via não só o passado das pessoas, mas dos objetos que tocava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa feita, no meio do lixão afastava os lixos em busca de alimento, tanto para a barriga como para a alma e sem querer tocou em um absorvente usado. Teve um arrepio. Vencendo a náusea colocou a mão sobre o objeto e deixou-se viajar no tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu mulheres sendo queimadas em uma fábrica. Assistiu uma mulher sendo queimada na fogueira enquanto gritava ‘é o ciclo da vida’, ‘é o ciclo da vida’. Pode observar uma outra de olhos azuis e cabelos negros ajoelhada em um tribunal onde se discutia se ela possuía ou não alma. Viu outra, muito jovem, com roupas que pareciam panos transpassados, sendo apedrejada por estar menstruada e ter tocado em seu marido. Pode ver um velho indígena pedindo a uma moça que saísse do circulo do fogo por que no seu ciclo, ela lhe tirava todo o poder. Viu estarrecido o medo dos homens por aquela regeneração da vida todos os meses. Meninas no tempo de Jesus com vergonha da primeira menstruação e meninas no terceiro milênio com vergonha do mesmo motivo. Viu a terra ser lavada com sangue feminino todos os meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A surpresa foi tão grande que chorou por várias horas. Nunca sentira nada parecido com aquilo. E talvez por curiosidade, ou mesmo por um delicado prazer, quis sentir mais dessas coisas de mulher. Com o tempo acostumou-se, mas também viciou, foi das pirâmides à biblioteca de Alexandria em busca da memória delas. Sentiu o que os homens nunca vão sentir, um filho sendo gerado dentro dele, sentiu a dor do seio rasgado pelo primeiro amamentar, sentiu imensa ternura quando um filho voltou da guerra e a mãe lhe fez o bife com feijão que tanto gostava. Sentiu os dedos de uma senhora de setenta e cinco anos percorrendo o próprio corpo um ano após a morte do marido e dizendo para si mesma: ‘não posso morrer sem nunca ter tido um orgasmo’. Sentiu um calor nas faces de uma mocinha quando alguém falou dos seus seios que cresciam. Sentiu a terrível sensação de ser tocada sem permissão. Sentiu de tudo, até cair exausto de força e ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, passou em frente a um espelho e viu que não era mais homem, ao menos não de carne e osso, era feito de outra coisa tão etérea que mal distinguia no reflexo. As mãos eram feitas de memórias de várias pessoas que haviam deixado para trás seus amores, os dedos eram gelados, mas irradiavam estranha luz difusa. Doces lembranças de milhares de infâncias cobriam-lhe os braços. Bolas de gude, peões, joelhos sangrando, pipas. As pernas eram feitas de reminiscências de chegadas, tantas e tão diversas. Chegadas de viagem, chegadas em aeroportos, chegadas em rodoviárias, chegadas de surpresa, chegadas no meio da madrugada, campainhas tocando, portas se abrindo, abraços e lágrimas. O peito era feito de juventude. Centenas e centenas de dúvidas, de juras, de promessas, de medos se entrelaçavam com primeiros beijos, primeira transa, primeiro grande amor. A cabeça era feita da última curva da vida, era feita de anciães e anciãs sentados em volta do fogo, uns lutando desesperadamente contra o tempo, contra a gravidade, outros, encontrando vida até no encontro com a morte. Viu medo também, é certo, mas viu rugas alegres estampadas nas faces, sulcadas pela quantidade de risos dados em vida (valiam a pena ver). Os velhos também carregavam seus carrinhos repletos de passado, quando lembravam, deixavam escorrer da cabeça as imagens e os sentimentos pelo resto do corpo... memórias das memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Manfredo riu, riu muito de sua nova forma, gostou do que viu, era a primeira vez que sentia algo por si mesmo. Viveu anos assim, passando despercebido pelas ruas e bancos da cidade, colecionando momentos e envelhecendo o tempo. Era uma noite fria de outono quando Manfredo foi encontrado morto, estava esticado ao lado de uma fogueira apagada em uma casa abandonada, um enorme sorriso deitava em seu rosto, como se estivesse surpreso com algo, uma última doce lágrima cristalizara na face. No peito, como se descansasse junto a ele, um livro estava aberto displicente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-5674119274869837486?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/5674119274869837486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=5674119274869837486&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/5674119274869837486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/5674119274869837486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2011/03/o-catador-de-memorias.html' title='O Catador de Memórias'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-7783474538617628589</id><published>2011-02-25T06:09:00.000-08:00</published><updated>2011-02-25T06:09:09.933-08:00</updated><title type='text'>Não esqueça</title><content type='html'>&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: large;"&gt;Entre a Espada e a Rosa&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Locais do espetáculo neste final de semana. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;25/02 sexta, às 20 h. - Teatro do SESC &lt;br /&gt;Rua Itaiópolis, 470, Bairro Saguaçu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ingressos uma hora antes do espetáculo, diretamente no SESC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;26/02 sábado, às 20h. - Sede do Núcleo Espírita Eurípides Barsanulfo &lt;br /&gt;Rua Kurt Meinert, s/n, Bairro Morro do Amaral&lt;br /&gt;Ingressos a disposição uma hora antes do espetáculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;27/02 Domingo, às 20 h. - Espaço AvaRamim&lt;br /&gt;Rua Fernando Machado 190 - Rua Fernando Machado 190 - Bairro América.&lt;br /&gt;Ingressos a disposição com uma hora antes do espetáculo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-7783474538617628589?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/7783474538617628589/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=7783474538617628589&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/7783474538617628589'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/7783474538617628589'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2011/02/nao-esqueca.html' title='Não esqueça'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-9153192616147187349</id><published>2011-02-10T05:14:00.000-08:00</published><updated>2011-02-10T05:17:38.028-08:00</updated><title type='text'>Entre a espada e a rosa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;Agende-se:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-vBdWoVI9xAg/TVPlCJwN93I/AAAAAAAAAEI/gGDwEnl6BJs/s1600/ENTRE+A+ESPADA.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" h5="true" height="283" src="http://3.bp.blogspot.com/-vBdWoVI9xAg/TVPlCJwN93I/AAAAAAAAAEI/gGDwEnl6BJs/s400/ENTRE+A+ESPADA.jpg" width="400" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Clique na imagem para ampliar, visite o blog:&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www.grupofiodeariadne.blogspot.com/"&gt;http://www.grupofiodeariadne.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-9153192616147187349?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/9153192616147187349/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=9153192616147187349&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/9153192616147187349'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/9153192616147187349'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2011/02/entre-espada-e-rosa.html' title='Entre a espada e a rosa'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-vBdWoVI9xAg/TVPlCJwN93I/AAAAAAAAAEI/gGDwEnl6BJs/s72-c/ENTRE+A+ESPADA.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-1218241963297351844</id><published>2010-12-30T04:48:00.000-08:00</published><updated>2011-02-02T12:00:43.963-08:00</updated><title type='text'>Do avesso</title><content type='html'>Nasceu daquele jeito, ninguém sabia porque. Nem a parteira, nem a benzedeira, nem as enfermeiras e nem o médico da cidade, que pior que o padre, disse que aquilo era filho do pé-rachado, do coisa ruim. O padre, ao contrário do médico, disse que era um bom caso para a medicina estudar, vai entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Independente de opiniões, havia nascido, isso era fato, e exceção da mãe, ninguém mais quis saber de passar perto daquela casa, pois diziam que o menino era feio demais, quem tinha nojo de sangue e de tripas era bom que nem olhasse, botava os bofes para fora na hora, era muita feiúra numa pessoa só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pai abandonou a casa dois dias depois do parto, disse que não conseguia comer mais. O parto foi sofrido. Quando finalmente saiu do ventre da mãe a parteira desmaiou, a ao acordar saiu em disparada benzendo-se e gritando:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Valei-me nossa Senhora, valei-me nossa Senhora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que o resto da cidade soubesse de boca-a-boca que o filho da dona da floricultura havia nascido do lado do avesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Como do lado avesso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Do lado avesso ora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas como assim? Assim com as coisas de dentro pra fora?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. Dizem que é né! Eu mesma nunca vi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim seguiam os rumores nas rodas das feiras, nos cochichos no fundo da igreja e nas mesas dos bares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas pobre coitado, nunca vai arranjar uma mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas como é que alguém vai querer alguém do lado do avesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Mas como que é? Fica assim o fígado pendurado de um lado o baço de outro e o pulmão aparecendo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Olha, não sei, porque ver mesmo eu nunca vi, mas dizem que é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos mais tarde, a mãe que nunca deu bola para as fofocas estava quase morrendo, preocupava-se: Quem vai cuidar do meu filho? Colocou anúncio no jornal: Procura-se moça para cuidar de um jovem que nunca saiu na rua e que nasceu do lado do avesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só uma mocinha apareceu, muito sofrida, um pouco magra, cara de choro e sorriso de tristeza, havia sido abandonada no altar três vezes e aquilo lhe dava um peso nos ombros que pareciam arqueá-la. Precisava de dinheiro, não suportava mais a família dizendo que ela nunca iria encontrar um homem. Quando ela viu o rapaz se apaixonou, ao contrário de todas as outras pessoas, não correu, o rapaz era do lado do avesso é verdade, porém, não eram as tripas que ficavam para fora, mas seus sentimentos. Era completamente transparente. Quem via, não suportando deparar-se com a verdade que brotava dele, corria, com medo de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A jovem, que até então não conhecera ninguém sincero, cuidou dele, como quem cuida de um pequeno e frágil passarinho... até o dia de sua morte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;ps: desejo a todos que porventura apareçam por aqui um bom ano, de muita saúde e muita alegria. Que a terra nos seja leve.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-1218241963297351844?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/1218241963297351844/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=1218241963297351844&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/1218241963297351844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/1218241963297351844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2010/12/do-avesso.html' title='Do avesso'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-6939312279487401222</id><published>2010-12-21T04:24:00.000-08:00</published><updated>2010-12-21T04:29:32.037-08:00</updated><title type='text'>Aos quarenta</title><content type='html'>Aos quarenta anos a vida fica um tanto mais simplificada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que a gente dá uma olhadinha no passado e pensa naquelas coisas que poderia ter feito, naquelas palavras que gostaria de ter dito, mas que ficaram entaladas na garganta durante décadas, daquele beijo que deveria ter dado sem se importar com tantas coisas que eram tão complicadas naquele tempo, naquele curso que deveria ter feito, naquelas mudanças que talvez devessem ter iniciado antes. Mas tudo bem, se vive igual, e incrível: somos os mesmo, cheios de medos, angústias e problemas. Os sonhos continuam e parece que a gente ainda está no início... a única diferença é que o tempo passou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas no mais fica tudo mais leve. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos nessa idade são amigos daqueles que dizem que vão buscar a pá. Escutei essa história uma vez lá no Rio Grande, dizem que um amigo chegou com um corpo na casa de outro, o outro olhou para a carroça e sem perguntar nada disse: Peraí que vou buscar uma pá. Pois bem, nessa idade amigos são assim, poucos é verdade, mas não aceitamos mais que sejam chatos a ponto de encherem o saco, nem moralistas e muito menos donos da verdade. Diferente dos tempos em que se não tivéssemos amigos – nem que fossem malas - em um sábado a noite o desespero começava a bater. Aliás, o sábado a noite passa a ser um dia diferente aos quarenta. Aos quarenta o dia bom de sair é a quinta-feira, no sábado olhamos o pessoal na rua como se fossemos profissionais e ‘eles’, os amadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já o amor aos quarenta ou é tudo ou nada. Não tem morno aos quarenta, não dá para ‘ver onde vai dar’, não tem ‘vamos ver’, não tem charminhos ou jogos. É tudo ou nada, e nada pela metade. 'O tempo ruge' ouvi alguém dizer uma vez, na hora ri, mas pensando bem creio que estava certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Problemas são resolvidos com uma simplicidade incrível nessa idade, coisas que seriam gigantescas tornam-se brincadeiras. Erros que cometemos agora que antes seriam motivo de desespero, são somente erros, é permitido errar, e depois dar uma risada de nossas falhas, como um velho companheiro que se achega e nos abraça, rindo e balançando a cabeça de uma lado para o outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já algumas mudanças internas são mais difíceis, bem mais difíceis, mas deve ser coisa da idade...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-6939312279487401222?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/6939312279487401222/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=6939312279487401222&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/6939312279487401222'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/6939312279487401222'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2010/12/aos-quarenta.html' title='Aos quarenta'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-2118238714010494698</id><published>2010-12-16T03:38:00.000-08:00</published><updated>2010-12-16T03:38:51.404-08:00</updated><title type='text'>O caminho do meio.</title><content type='html'>Ao fazer uma viagem interior, nos deparamos com duas possibilidades. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira, julgamo-nos como carrascos, e tudo que fizemos foi o mal, tudo que fizemos foi errado, somos os últimos seres da face da terra. No altar das consciências de cada um, somente nós sabemos o que realmente se passa em nossas mentes. E as vezes, não são coisas tão boas de se pensar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A segunda, é que somos muito flexíveis e coniventes conosco, sempre pensamos que: Ah, daqui uns dias eu resolvo isso! Ah, depois eu faço aquilo! Ah, eu consigo fazer isso na hora que eu quiser! O ego nessa viagem atrapalha, atrapalha muito. É ele que diz que está tudo bem, que ‘todo mundo é assim’, que podemos ir mais devagar, que podemos nos permitir algumas vezes certas coisas, ‘ah, só uma vez, pelos bons tempos’. E assim, o tempo vai passando... E nossa transformação sendo adiada. Para quando? Cada um é que sabe seu tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem tão carrascos, nem tão coniventes. O equilíbrio seria o caminho mais ideal. Sermos sinceramente sinceros conosco. Conhecermos nossos erros, nossos vícios, nossas paixões, buscarmos o paz interior, mas conscientes que somos seres humanos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-2118238714010494698?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/2118238714010494698/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=2118238714010494698&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/2118238714010494698'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/2118238714010494698'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2010/12/o-caminho-do-meio.html' title='O caminho do meio.'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3190466034370459582.post-6121611599967424385</id><published>2010-12-13T05:39:00.001-08:00</published><updated>2010-12-13T05:39:39.018-08:00</updated><title type='text'>Ciclos</title><content type='html'>A natureza se movimenta em ciclos. Assim como nossa vida. Cada amanhecer é o fechamento de um ciclo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando se está no mato, é possível observar no início da manhã alguns insetos - daqueles que por sua própria natureza tem somente uma noite – morrendo lentamente. Outros, que viverão durante o dia – e somente aquele dia - nascem, para morrer ao entardecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um constante morrer e renascer é parte do ciclo de nossas vidas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Valem também para as diferentes etapas de nossa efêmera existência. Alguns ciclos se fecham e outros iniciam no mesmo momento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como minha vida encerrou um ciclo na última semana, resolvi que esse blog também deve passar pelo mesmo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3190466034370459582-6121611599967424385?l=degustandomemorias.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/feeds/6121611599967424385/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3190466034370459582&amp;postID=6121611599967424385&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/6121611599967424385'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3190466034370459582/posts/default/6121611599967424385'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://degustandomemorias.blogspot.com/2010/12/ciclos.html' title='Ciclos'/><author><name>o Novato</name><uri>http://www.blogger.com/profile/07004340998635765900</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='21' src='http://2.bp.blogspot.com/_wSV9qIiy4vE/ScwLn5jYmMI/AAAAAAAAAAg/YcUctY8P_Tg/S220/O+Cheff.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
